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Testes genéticos ajudam no tratamento e no diagnóstico precoce do câncer

07/03/2017 Blog Moinhos de Vento

Conhecer o histórico de câncer em uma família pode ser decisivo tanto na escolha do tratamento do paciente quanto na redução do risco de ocorrência de novos casos no próprio paciente e em seus familiares. Para identificar esse tipo de propensão é fundamental o aconselhamento genético.

“As síndromes de predisposição hereditária ao câncer são causadas por uma mutação genética que pode ser passada de geração em geração. Uma vez identificada a existência de uma síndrome de predisposição ao câncer em um paciente, a chance de seus irmãos e seus filhos também a terem a terem é, geralmente, de 50%”, explica a médica geneticista Dra. Camila M. Bittar.

Em geral, os sinais de alerta para essas síndromes são a ocorrência de câncer em idade jovem, ou seja, dez anos antes do que comumente acomete a população em geral, o surgimento de diversos casos da doença na família ou de vários tumores no mesmo paciente, entre outros.

“Nesses casos, é indicado o aconselhamento genético. Primeiro realizamos uma entrevista para avaliar quantos e quais tipos de câncer ocorreram no grupo familiar. Isso nos auxilia a identificar a síndrome de predisposição hereditária ao câncer naquela família e permite a indicação correta dos testes moleculares (DNA) mais adequados para cada situação”, complementa a Dra. Camila.

Angelina Jolie chamou atenção para o tema

Esses exames ficaram mais conhecidos depois que a atriz norte-americana Angelina Jolie revelou ter feito a remoção das mamas, dos ovários e das trompas de Falópio após um teste genético revelar que ela possui uma mutação hereditária no gene BRCA1. De acordo com o jornal britânico The Daily Mirror, oito casos de câncer já haviam sido diagnosticados na família de Angelina, acendendo o alerta para a existência da síndrome de predisposição genética para câncer de mama e de ovários.

“O fato de se diagnosticar uma dessas síndromes não significa que a pessoa desenvolverá a doença. Mas é decisivo para identificar os riscos de cada tipo de tumor naquela família e para que se possa discutir, junto com uma equipe multiprofissional e o paciente, por cirurgias redutoras de risco, como fez Angelina, ou por iniciar rastreamentos precoces e mais frequentes naquele grupo familiar” alerta a geneticista.

A Dra. Camila, que atua no Centro de Oncologia Lydia Wong Ling do Hospital Moinhos de Vento, explica que esses exames ainda não estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) mas que, dependendo do caso, são cobertos pelos convênios. Os testes genéticos são feitos a partir da análise de DNA (extraído por meio de uma amostra de sangue ou outro material genético, como saliva e mucosa oral). Existem diversos tipos e técnicas de testes genéticos que identificam síndromes de predisposição para cânceres de mama, ovário, cólon, próstata e outros tipos de neoplasias. A indicação e a necessidade de se realizar um desses testes tem de ser avaliada por um especialista.