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Anemia pode virar leucemia?

07/03/2017 Blog Moinhos de Vento

É difícil encontrar quem não tenha escutado, ao estar com uma suspeita de anemia, que deveria “tratar logo para evitar que virasse algo mais grave, como uma leucemia”. O conselho, quase sempre oferecido com zelo por familiares e amigos preocupados com o nosso bem-estar, pode estar recheado de boas intenções, mas não tem nada de científico.

“As pessoas costumam falar muito em anemia profunda, que pode causar alguma outra doença. Esse conceito não existe, é um mito. Anemia e leucemia são doenças diferentes, com causas, sintomas e tratamentos distintos, e não existe essa possibilidade de uma se transformar em outra”, esclarece a Hematologista Cláudia Astigarraga, Coordenadora da Unidade de Terapia Hematológica.

Ela destaca que a incidência de leucemia na população é extremamente baixa, com um caso para cada 150 mil pessoas. Já a anemia, principalmente por deficiência de ferro, é muito mais comum. Estima-se que 25% das brasileiras, em algum momento da vida, terão a doença, por não se alimentarem corretamente ou por perderem muito sangue na menstruação, por exemplo.

O hemograma (exame de sangue), traz três informações principais: quantidade de sangue (glóbulos vermelhos), defesas (leucócitos) e plaquetas (que auxiliam a estancar sangramentos). Uma pessoa com anemia apresentará uma queda no índice de glóbulos vermelhos. Já um provável caso de leucemia terá alterações também nas outras informações fornecidas pelo hemograma.

Os sintomas de anemia variam de acordo com o grau da doença e podem ser desde uma leve queda de cabelo a um risco de problemas cardíacos, em casos mais graves. Já o número alterado de leucócitos pode provocar infecções de repetição. E as plaquetas reduzidas costumam gerar sangramento ou hematomas.

“O importante é que a pessoa fique atenta: se antes ela não tinha esses sintomas e passou a apresentá-los, é o sinal de alerta para uma investigação”, destaca a Dra.