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Estresse: quando o remédio vira veneno

07/03/2017 Blog Moinhos de Vento

Uma das palavras mais rotineiras no cotidiano das grandes cidades é “estresse”. Ela serve para definir as incomodações, tristezas, frustrações e insatisfações no trabalho, na família, no trânsito… Mas você sabe o que é o estresse?

“É como chamamos a resposta do organismo a situações de perigo ou ameaça, que fazem com que sejam liberadas diversas substâncias. A principal delas é a adrenalina, que nos permite estar prontos para uma fuga ou enfrentamento daquela situação”, explica a psiquiatra Lorena Caleffi.

Imagine que você está numa mata, sozinho, e se vê frente a frente com uma onça. É o estresse, em sua função adaptativa e protetora, que prepara o corpo para avaliar a situação e decidir se luta contra o animal ou foge dele. A partir das substâncias liberadas no organismo, ocorre uma maior oxigenação do cérebro e dos músculos.

No entanto, essa condição essencial para a sobrevivência da nossa espécie também pode assumir um papel muito prejudicial, pois nem sempre é desencadeada por fatores externos, como situações de perigo e risco.

“A ansiedade, que é uma condição de alteração psicológica, faz com que a pessoa fique em alerta em situações em que a maioria dos indivíduos não ficaria, como nos quadros de fobia, ansiedade generalizada e, de modo extremo, na doença do pânico”, complementa a Dra. Lorena.

Nesses casos, a liberação das substâncias provocada pelo estresse ocorre de modo mais frequente, exigindo que as células utilizem mais oxigênio do que o habitual. Com isso, o funcionamento do sistema imunológico é prejudicado.

Estresse e sistema imunológico

A condição de um estresse crônico e frequente pode afetar o correto funcionamento do sistema imunológico, tornando o corpo mais suscetível a doenças, como as causadas por vírus ou bactérias.

Alguns estudos já demonstraram que o estresse interfere na produção de cortisol. Esse é o hormônio responsável por aumentar a pressão arterial e o açúcar no sangue, propiciando a resposta muscular. Ao mesmo tempo, ele inibe as funções de recuperação, renovação e criação de tecidos do organismo, o que a longo prazo pode prejudicar o bom funcionamento do corpo.

Tal desgaste celular é um dos fatores que pode fazer com que as células do sistema imunológico não consigam combater células cancerosas. Quando nosso corpo detecta uma célula neoplásica, ele tenta eliminá-la. O desgaste celular causado pelo estresse crônico pode dificultar o combate e eliminação dessas células. Assim, a chance de que elas se multipliques e, a longo prazo, um câncer se estabeleça, são maiores.

Compreender o que nos estressa, identificar a fonte dessa condição e aprender a lidar com essas situações é fundamental para a saúde. Práticas de relaxamento, meditação e ioga colaboram para o equilíbrio do corpo, assim como dançar, passear e desenvolver atividades artísticas e lúdicas que promovam a distração.  

“Dar mais prazer e variedade à rotina é uma alternativa. Tudo isso faz com que o organismo, os pensamentos e os sentimentos se modulem”, orienta a Dra. Lorena.